Escrever cartas de amor ainda importa.
É preciso uma certa coragem para escrever uma carta de amor. Coragem para parar. Para escolher um papel (não demasiado espesso, não demasiado pretensioso e, idealmente, não arrancado de um caderno). Para aceitar a demora do primeiro riscar da caneta e admitir, sem emojis nem botão de apagar, que sentimos alguma coisa por alguém. E que essas vulnerabilidades vão ficar expostas para (quase) sempre, numa prova em papel.
Claro que é um gesto estranho em 2026. E talvez por isso mesmo seja tão poderoso.
Escrever cartas de amor é um acto de resistência. Contra a pressa. Contra a distração. Contra a ideia moderna, no pun intended, de que a nossa vida inteira cabe num ecrã de bolso e desaparece em 24 horas.
Joan Didion escreveu que contamos histórias para sobreviver. As cartas de amor são isso: pequenas narrativas privadas para sobreviver à distância, ao tempo e, muitas vezes, a nós próprios. A diferença é que aqui o narrador está perigosamente envolvido na história.
Uma carta não precisa de ser um texto bonito, mas convém ser um pensamento honesto.
A The School of Life lembra-nos frequentemente que o amor não morre por falta de intensidade, mas por falta de clareza. Uma carta pode desmanchar mal-entendidos. Não dá para esconder tudo atrás de ironia ou do melhor sticker de sempre.
A folha não reage. O feedback não é imediato. Não responde com um “visto às 22:43”.
Fica ali: uma imensidão de papel por preencher. Depois vêm os dias até arranjarnis tempo para ir ao correio, colar um selo dos recortados, esperar. E, com sorte, receber resposta. E sim, isso assusta. Mas também liberta.
O humor ajuda. Muito.
Aqui somos fãs do humor inglês: seco, consciente e com uma ligeira vergonha de si próprio. Uma boa carta de amor não precisa de soar a um Shakespeare que chegou a casa bêbedo às três da manhã. Pode admitir inseguranças. Pode rir-se de si própria. Pode dizer: “Não sou muito bom nisto, mas juro que estou a tentar.” Isso, muitas vezes, é melhor do que qualquer metáfora pirosa sobre o coração em chamas.
Fernando Pessoa dizia que todas as cartas de amor são ridículas. É suposto. Fingir que não são costuma correr mal.
Num mundo em que estamos assoberbados pelo digital, dizer alguma coisa bem pensada, lenta e deliberadamente tornou-se quase um luxo emocional. Não é preciso escrever bem. É preciso escrever a verdade. Uma carta de amor não resolve tudo.
Mas hoje em dia é uma forma quase radical de carinho.

Conjunto de papel de carta + envelopes com moldura bordeaux A5 produzidos pela Crown Mill
E sim, o papel importa.
Um bom conjunto de papel não escreve por nós, nem garante finais felizes. Mas cria o cenário certo.
Os nossos conjuntos de papel de carta existem para isso. Para não distrair. Para acompanhar o que já está lá, a vontade do gesto pelo outro, de dizer alguma coisa que não cabe num ecrã. Se for em papel bom, escolhido com cuidado, então melhor ainda.