Nas entrelinhas de Susana Matias dos Santos

|Inês Maldonado
Nas entrelinhas de Susana Matias dos Santos

Nas Entrelinhas é uma rubrica de entrevista sobre escrita à mão, objetos com histórias e tudo o que não cabe numa resposta óbvia. Um espaço para listas improváveis, cartas por escrever e aquilo que insiste em contrariar uma folha em branco.

Nesta edição, convido a Susana Matias dos Santos. A Susana é a fundadora da marca Le Mot. Uma marca que nasceu de um amor pela moda, mas também de uma vida em Paris que se transformou em saudade e num estilo. É uma pessoa elegante a todas as horas do dia, apreciadora dos pequenos prazeres da vida, sejam eles papéis especiais, bolos, um bom livro ou uma conversa entre as amigas de sempre.

De gostos delicados e olhar atento, a Susana encontra inspiração na música, nos livros, em revistas e também nas entrevistas. Escreve à mão para se organizar, guarda papéis com história, bilhetes antigos, palavras da avó, como quem sabe que a memória também se constrói em pequenos fragmentos.

Falámos de como a escrita à mão pode ser um refúgio e um legado para o futuro. Entre memórias de Paris e rituais que resistem ao tempo, cada detalhe conta e cada objeto guarda uma história que merece ser lida com calma.


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Para quem escreverias uma carta em papel?
Para as minhas filhas. As cartas de papel podem ser, simultaneamente, caixas de memórias e promessas de futuro. Tenho na minha to-do list escrever uma carta a cada uma das minhas filhas, da próxima vez que fizerem anos, que registe o quanto gosto delas e também o meu olhar sobre elas nessa idade. Acho que vão gostar de ler quando forem crescidas.

O que é te inspira a criar?
É muito difícil escolher só uma. Música, revistas, livros e, muitas vezes, entrevistas. A música e as revistas, pelos sentidos e pela estética. Os livros, fazem-me sentir e sonhar. Adoro entrevistas, fazem-me perceber como pensam outras cabeças e mostram-me outros mundos e outras possibilidades.

Um livro que te marcou.
Blue nights, da Joan Didion. Já li há muitos anos, muito antes de ter filhos, mas marcou-me para sempre. Gostava muito de voltar a ler nesta fase da vida.

Uma artista que te inspira.
Patti Smith.

Um objeto que vive na tua secretária
Um caderno e uma caneta BIC. Sou old school, gosto de escrever tudo em papel para me organizar e escrever a azul, uma mania que ficou da escola.

 




O que nunca falta na tua gaveta de papelaria?
Folhas de rascunho, canetas rollerball pretas para escrever cartões (de agradecimento, parabéns, etc..) e canetas de feltro de ponta fina de cores.

O que está na tua lista de desejos da Papelaria Moderna?
Um agrafador de mão verde, uma caneta Pentel, uma caixa de papel de carta e um caderno nuvem como os que o meu avô usava.

 

Agrafor Penco Verde

 

Que objeto de papelaria gostarias que existisse — e já não existe, ou nunca existiu?
Quando trabalhava em França, o meu chefe organizava o trabalho todo por temas numas fichas A5, em papel de linhas cartonado. Nunca vi cá esse tipo de papel e adorava ter, acho um ótimo sistema para ter tudo bem esquematizado.

Um papel que nunca conseguirás deitar fora.
As adivinhas e orações escritas pela minha avó e os bilhetes que trocava na sala com a minha melhor amiga, no liceu.

Qual é a melhor carta que poderias receber no correio?
Qualquer carta de um amigo ou família é sempre uma boa surpresa.

 

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